Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.
Domingo, Abril 30, 2006
O GRITO
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
...
- Minha muralha de cacos de vidro.
(L. F. Calaça | 30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:56 PM Comments:
O MITO DE ROMEU
meu ódio-sangue respingando no tecido
branco olhar acorrentado, precipício bronze
meto minhas mãos nos ocultos silêncios
que transponho minha vida, palavras-briza
e despejo minhas pragas, blasfêmia muda
corroendo minhas unhas dedos mãos corpo
parte obscura, loucura sonho fantasia, delírio
meu beijo de morte, purgando meus desejos
atravesso a rua sem pés nem braços nem olhos
como um filho-amante, esfera transplantada
sem acordes sonoros, grito e pranto assustado
meu bem se perdendo na angústia-noite morta
trovoadas. o tempo de chuva e ócio, fumaça
eu e minhas lágrimas ensanguentadas, miragem
teus cabelos em curvas, fios de passagem-transe
meu beijo em sua boca azul. Ele e ela, já imóveis.
(L. F. Calaça | 30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:40 PM Comments:
Der Kampf mit den Weinschlaeuchen Don Quichotte plakatmotiv, Salvador Dalí
AUSÊNCIA DE MULETAS
Ninguém... ninguém...
Ninguém amanheceu junto a meu corpo, numa manhã, após o sono dos vagamundos. Absolutamente ninguém despertou-me de um sonho, para viver outro, mais real e cotidiano. Ninguém me faz sentir que o corpo do outro é parte minha, meu desdobramento calado, minha imagem convertida em segredo e estrondo. Ninguém me fez sentir verdadeiramente EU, mas apenas minha sombra trêmula num delírio inocente de finitude. Tudo caminhando muito rápido, em suas sutís mutações de ângulo. Ninguém me acordou a tempo de eu ver o ônibus passando pela avenida da cidade deserta. Ninguém me atravessou, sem deixar rastros invisíveis. Ninguém e quase tudo me comove como uma criança morta. Sinto-me minguante. Corpo sem voz, sem ritmo. Não danço mais, meu desejo de movimento. Ninguém me fez sonhar um sonho acordado que durasse mais que 20 segundos. Ninguém... Ninguém... Sou essa melâncolia que degusto na tela curva de um monitor 17 polegadas. Sou esse silêncio ensurdecedor, que me devora a carne. Sou esse aquém, esse juizo, esse presságio, esse temor. Sou meu fragmento de solidão.
E ninguém respondeu ao meu grito no escuro.
Um pouco nada, deflorando meus esficteres.
(L. F. Calaça | 30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:23 PM Comments:
POEMA DE AMOR #4 - SAUDADE
Saudades suas, de ter-te a meu lado
momento passado-presente, coisa estranha
uma quase ausência de toque e o corpo
em incandescência sonora, furacão.
Saudade daquele ontem-hoje-agora
em que te penso em mim, memória e suor
cansado dessa solidão profunda e imprecisa.
Preciso-te, mas vago, nessa ausência de resposta.
E meu corpo, meu olhar quase triste, treme
neste momento em silêncio, espaço aberto,
orifício oco em meu peito de pedra fluida, EU.
Segmento vazio de mim, sem outro EU- complemento.
Menino de asas... Meu Sol é Lua fria, deus nu
correndo pelo espaço impreciso de minha alma alada
parte e fragmento, retorno e silêncio. Aqui-agora.
Nada além deste mais nada-tudo. TU-DO!
(L. F. Calaça | 30/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:35 PM Comments:
Surrealist Angel, Salvador Dalí (1983)
Olá pessoal,
Faz umasemana mais ou menos que criei a comunidade do RUÍNAS ALADAS, no orkut. Para quem tiver interesse em deixar seus textos, a comentar os textos das ruínas, sintam-se à vontade.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12370500
Abraço a todos,
L. F. Calaça
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:05 AM Comments:
Sábado, Abril 29, 2006
SOZINHO
Intérprete: Caetano Veloso
Composição: Peninha
Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?
Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está maduro
onde está você agora?
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:33 PM Comments:
A NUVEM
Meu corpo nu e sem sentidos. Espaço aberto, trânsito interrompido. Suas palavras... minhas palavras. Apenas palavras repetidas, meus desejos reprimindo-se. Eu... eu... Aonde estou meu corpo, meu desejo? Sinto-me perdido sem sua boca em minha boca, sem minhas mãos às suas entrecruzadas passagens. Posso te amar, me pergunto. Posso ser algo além desse olhar que espera e deseja um sinal de desejo repartido? Sinto-me como carne tremendo, como boca secando ao som que não há. Te quero com a intensidade de um tiroteio na avenida principal, como um fluxo verborrágico, como um estar me perdendo a cada instante. Te quero e não sei mais se posso te amar... pois amar é muito e demasiado nada. Sou meu escesso, aquilo que transborda. SOU MEU CORPO. Sou essa carne enlouquecida, e minha alma? Minha alma é algo que se desfaz a cada instante em que te perco num gesto seu impreciso. Sou também muitas vezes impreciso. Só funciono assim, no meu ponto de explosão, no instante entre a cólera e o caos. Além disso, sou meu corpo imóvel e sonolento. Sou minha carne suando fria, deslizando silêncio. Posso te chamar de Amor? Não sei mais. Sinto-me seu ombro. Não sou isso apenas. Sou um EU que deseja um outro, minha imagem refletida e divergente. Quero sua boca e apenas isso e todo o resto, inteiro, integrado, disponível. Quero meu corpo em contato com seu corpo em fronteira fluida. Esse amor é meu amor possível. Esse sou eu existencia vibrante. Sou essa necessidade de cópula, de sangue escorrendo em leito subterrâneo. Não tenho alma, apenas minha poesia que me torna coisa. Sou essa coisa que se pensa, que se toca sob a água fria de chuveiro e dança uma dança de musas, ao som de boleros, sem ser nada além de meus olhos fechados e boca de lábios finos contraídos. Amor, não sei mais se te amo ou te desejo apenas, mas meu amar é assim, esse instante apenas e todos os outros, renovando-me no agora real. Meu corpo é esse agora. Minha fome de TU, pedra preciosa e mistério, Assim... dedico meus sonhos a seu deleite, e me ponho num caminho impreciso em eu e minha espera. Te querer é meu martírio e minha salvação, neste tempo em que não sei se sou ou se morrerei no deserto de mim e minha saudade.
(L. F. Calaça | 29/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:15 PM Comments:
Quarta-feira, Abril 26, 2006
CHORO DO POETA ATUAL
Murilo Mendes
Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarram umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Um nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego.
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:19 PM Comments:
POEMA DE AMOR #3 - MENINO-AMANTE
Novamente sou criança, menino nu
e sigo meu rítmo tonto, esperando
um beijo no rosto, olhar-afago doce
Coisas pequenas, mínimas e mítos.
Não estou conseguindo dizer coisa alguma.
Volto a minha mudez, olhos redondos confusos.
Sou criança medrosa, amando o medo de ser
pequeno demais explodindo, coração sem fim.
E novamente canto canções saltando
no espaço infinito de um sonho alado.
O Sol, atravessando a grade de ferro
e queimando minha pele lilás de seda.
Assim retorno, e num segundo me perco
para encontrar em seus olhos mundo inteiro
planície-pastagem de meu corpo puro sentido
vivendo sem saber, esta entrega de almas.
(L. F. Calaça | 26/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:04 PM Comments:
Terça-feira, Abril 25, 2006
Murilo Mendes
O MENINO EXPERIMENTAL
Murilo Mendes
O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro.
O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote.
O menino experimental não anda nas nuvens. Sabe escolher seus objetos. Adora a corda, o revólver, a tesoura, o martelo, o serrote, a torquês. Dança com eles. Conversa-os.
O menino experimental ateia fogo ao santuário para testar a competência dos bombeiros.
O menino experimental, declarando superado o manual de 1962, corrige o professor de fenomenologia.
O menino experimental confessa-se ateu e à-toa.
O menino experimental é desmamado no primeiro dia. Despreza Rômulo e Remo. Acha a loba uma galinha. No tempo do oco pré-natal gritava: "Champagne, mamãe! Depressa!"
O menino experimental decreta a alienação de Aristóteles. Expulsa-o da sua zona, só com a roupa do corpo e amordaçado.
O menino experimental repele as propostas da prima de dezoito anos chamando-a de bisavó.
O menino experimental escondendo os pincéis do pintor e trancando-o no vaso sanitário, obriga-o a fundar a pop art, única saída do impasse.
O menino experimental ensina a Vamp a amar. Dorme com o radar debaixo da cama.
O menino experimental, dos animais dó admite o tigre e o piloto do bombardeio. Deixa o cão mesmo feroz e o piloto civil às pulgas.
O menino experimental benze o relâmpago.
O menino experimental antefilma o acontecimento agressivo, o Apocalipse, fato do dia.
O menino experimental festeja seu terceiro aniversário convidando Jean Genet e Sofia Loren para jantar. Espetados na mesa três punhais acesos.
O menino experimental despede a televisão, ¿brinquedo para analfabetos, surdos, mudos, doentes, antinietzsches, padres, podres, croulants¿.
O menino experimental atira uma granada em forma de falo na mãe de Cristóvão Colombo, sepultado nas Américas.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:19 PM Comments:
AS SEIS CORDAS
Federico Garcia Lorca
A guitarra
faz soluçar os sonhos.
O soluço das almas
perdidas
foge por sua boca
redonda.
E, assim como a tarântula,
tece uma grande estrela
para caçar suspiros
que bóiam no seu negro
abismo de madeira.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:08 PM Comments:
Segunda-feira, Abril 24, 2006
POEMA DE AMOR #2 - TOURADA
Amor, nesta arena em flamas
meu coração perde espaço
na dança-valsa e tourada.
Sangue, corpo, vida e seio.
Amor, neste instante corpo curvo
sobre a espada atravessando a carne
olhar perdendo o foco, lusco-fusco.
Tua capa vermelha, amarelada.
Amor. Sou touro sedutor e caça
sou peixe flutuando em brasa quente
e veneno mordiscando a alma-fogo.
Nesta arena, sou espetáculo.
Amor, nesta vida amar sempre me vence
e esqueço minhas formas, força-corrente,
para ajoelhar-me aos pés de tu-toureiro.
Sem razão, poemas... Desejo apenas.
(L. F. Calaça | 24/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:20 PM Comments:
Frederico Garcia Lorca
O POETA PEDE A SEU AMOR QUE LHE ESCREVA
Frederico Garcia Lorca
Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:51 PM Comments:
Domingo, Abril 23, 2006
POEMA DE AMOR #1 - CAVALO DE TRÓIA
Amor, abri meu coração-cancela e joguei
as chaves fora, ao vento-brisa da açoite
para teu corpo-corcel negro correr solto
por estas pastagens verdes sem finitude.
Seu olhar negro espelho de noite transe
seu suor, chuva respingada em terra úmida
Amor, sua fúria invadindo cidade-fantasma
em silêncio, sem saber, entregando-me.
E o cheio afrodisíaco, canela-pau, roubada
seu aroma de fruta mole, de polpa amarela
Seus pêlos ao vento-brisa de açoite arrasta
essa firmeza urbana, essas palavras, pr'além.
Amor, corcel negro e noite. Olhar-Lua cheia.
(L. F. Calaça | 23/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:14 AM Comments:
Sábado, Abril 22, 2006
A "AS CARTAS DE ARENA"*
Gosto de manchas de tinta.
Estou me referindo à manchas em cima dos textos,
............... azuis e vermelhas.
Gosto de manchas de tinha cor de sangue
Gosto do gôsto das cores de tinta
Gosto de cores e cores em preto e branco
Gosto dos odores, amores, tremores, furores.
Gosto das pequenas figuras desenhadas no nada.
(L. F. Calaça | 22/04/2006)
__________
* Comentário deixado no blog da Carol:
http://carol.naselva.com/blog/
....................................................................................................................................................................
SOMOS
Interprete: Chavela Vargas
Somos un sueño imposible
Que busca la noche
Para olvidarse en sus sombras
Del mundo y de todo
Somos en nuestra quimera
Doliente y querida
Dos hojas que el viento
Juntó en el otoño
Somos dos seres en uno
Que amándose mueren
Para guardar en secreto
Lo mucho que quieren
Peró qué importa la vida
Con esta separación (2x)
Somos dos gotas de llanto
En una canción
Nada más
Eso somos
Nada más
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:28 PM Comments:
Cartas de Tarot, (autor desconhecido)
CARTAS DE TARÔ
cavalgada no escuro entre cartas em branco
a ciranda de uma cigana de olhos vermelhos
mistério obsceno, nos bastidores deste instante
EU... meu papel inscrito de poeta-clown e trágico
presente passado o agora equilibrista ato fato
nada de concreto além de sua voz e seu corpo
meus olhos e seu sentido imagem e foco
seu corpo semi-nu, provérbio e vertígem. TU
EU e meu canto louco, tarantela e solilóquio
meu corpo respingando sonhos, alma e destino
o impreciso, o indizível, pantomima e grito profano
sangue respingando na mesa e na miragem.
(L. F. Calaça | 22/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:02 PM Comments:
Sexta-feira, Abril 21, 2006
SAPO AFOGADO EM POÇA D'ÁGUA
jogo-me no encosto aposto de meu susto
sufocando meus anacronismos sujos santos
parangolé envolvido no solavanco das rimas
batidas de cabeça na parede aeronáuta
vida coisa sem pé nem cabeça apenas tronco
meu toco de espada minha adaga corda torta
amarra amarelada de uma gravata e silêncio
um sapo afogado em poça d'água molemente
e a chuva lambendo o rosto de vidro e bronze
num erotismo estóico histérico e profano de coisa
natureza móvel terra gorda movediça lunar sólida
paralelismo e mímese representando o absurdo
(L. F. Calaça | 21/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:08 PM Comments:
REORGANIZAR O CAMPO PARA A AULA DE PSICOLOGIA E ARTE*
Olá pessoal,
Fiquei pensando, após nossa última aula, o que poderíamos fazer para mudar a dinâmica das aulas e trazer a arte como vivência, como objeto de discussão, de forma mais integrada, mais envolvente. Com toda aquela última discussão, o desconforto generalizado, partindo de Wilson e ressonando em nós, nesta sircrônia louca, pensei, analisei "críticamente" e cheguei a um diagnóstico: O PROBLEMA ESTÁ NAS CADEIRAS. E não apenas nas cadeiras, mas na sua organização espacial, na sua disposição em "U" com uma em destaque - a de Wilson, a do apresentador, palestrante, do ator, de quem tem coragem. Acho que devemos reconfigurar o campo, abrir espaço para o "vazio fértil" que sei que há. Vamos tirar as cadeiras da sala, tornar aquele espaço de todas as quartas em um espaço de criação, e não apenas de discursividades (que são importantes, mas não a única forma de construir e transformar o conhecimento). Proponho que todos tragam algo, sei lá, uma folha de ofício, giz de cera, o giz de quadro e o quadro negro, poemas que gostamos, que nos movimenta de forma "tensiva". Quero poder ler poesias de um autor que gosto muito, Roberto Piva, que propõe a poesia como vivência, como experimentação.
É isso que proponho: VAMOS TIRAR AS CADEIRAS, PARA QUE NÃO HAJA LUGARES DEFINIDOS, PARA QUE NÃO NOS DOBREMOS APENAS SOBRE NÓS MESMOS, NUMA CONFORMIDADE. Proponho que ocupemos o espaço que nos é oferecido. Proponhpo que estejamos disponíveis a discutir o que for apresentado, sem receio de se mostrar. Quero que possamos fazer uma terapia de vivência, um cuidado consigo e com o outro, em grupo, compartilhando experiências, vivências, amores, sensações.
Queria também que deixássemos um pouco o raciocínio lógico e pragmático, as buscas por conceitos e definições, por um instante, e nos jogássemos na experiência estética, na pulsação da vivência, do instante. Tenho de admitir que fiquei muito decepcionado ao ver que, enquanto nossa colega Bianca traçava palavras e formas, seguindo o fluxo de palavras de Wilson e de outros que debatiam nossos rumos, significando aquele instante, dando forma, ninguém percebia seu sentido, ninguém se sensibilizava, ou não. Talvez fosse indiferente, mais uma loucura do povo de Psicologia e Arte... Eu me sensibilizei profundamente, senti sua ressonância em Mariana Siqueira e em mim, que também fiz meus riscos tortos, escrevi meu "O QUE É ARTE? ARTE É ISSO!", que ficou ofuscado, que ninguém percebeu. Gostaria que todos estivessem mais abertos, para poder experienciar esse encontro, que pode ser prazeroso, e não apenas 4 horas de palestra monológica e monotônica.
Está em nós a possibilidade de dar vida à "Psicologia e Arte" e tornar possível uma ressignificação nesse título, numa afirmação categórica, que defendo com unhas e dentes, de que PSICOLOGIA É ARTE! PSICOLOGIA É ISSO! ARTE E CRIAÇÃO, FAZER CRIATIVO, VIVENCIAL. Arte, assim como Psicologia, não é um mero "fazimento", é um momento de implicação, de estar presente, de experiênciar e experimentar as possibilidades.
Como primeiro passo, VAMOS TIRAR AS CADEIRAS DA SALA, para nos tirar da conformidade e abrir espaço para o criativo, para o exploratório, para as descobertas de nós mesmos, como viventes, como vibrantes, como obra de arte e construção de nós mesmos.
Abraço a todos.
Luiz Fernando.
_______________
* E-mail enviado para a lista de turma de Psicologia e Arte, 2006.1, UFBA
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:08 PM Comments:
Quinta-feira, Abril 20, 2006
XII ENCONTRO NACIONAL DE FILOSOFIA
de 23 a 27 de outubro de 2006
Centro de Convenções do Bahia Othon Palace Hotel e hotéis circunvizinhos.
Salvador, BA
Inscrições abertas:
http://www.anpof.org.br/encontros/12/inscricao.php
Os Encontros Nacionais de Filosofia da ANPOF permitem reunir pesquisadores do Brasil inteiro, com plena tolerância epistemológica e, ao mesmo tempo, com a devida exigência de qualidade dos trabalhos. Eles são um espaço privilegiado de reflexão e produção acadêmica, além de excepcional ocasião formadora, de sorte que têm grande papel no fortalecimento da comunidade filosófica nacional.
Todos os interessados na produção filosófica de qualidade em nosso País, apresentando ou não algum trabalho, já podem inscrever-se para o próximo Encontro. Além disso, professores e alunos de pós-graduação podem e devem agora submeter seus trabalhos também diretamente através da página da ANPOF.
Em nosso último Encontro, também realizado em Salvador (aliás, com grande sucesso), tivemos cerca de 780 comunicações (30 minutos cada) e de 130 palestras (60 minutos), além de 5 mesas plenárias e vários mini-cursos, bem como rica programação cultural.
Esperamos repetir o sucesso em 2006, oferecendo à comunidade filosófica nacional um encontro representativo do melhor da produção filosófica de todo nosso País, além de contarmos com presença expressiva de conceituados pesquisadores estrangeiros.
Os Encontros têm assim crescido ao longo dos anos, mas sempre cuidamos para que sejam apresentados trabalhos originais e com rigor acadêmico compatível com o nível de estudos de pós-graduação. A ANPOF sempre tem conseguido garantir a presença dos bons pesquisadores, das referências mais importantes de nossa área, ao tempo que não descuida do espaço (mediante seleção por seus GTs e programas) para apresentação e debate da nossa melhor produção docente e discente em pós-graduação.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:04 AM Comments:
Quarta-feira, Abril 19, 2006
I ENCONTRO REGIONAL/NORDESTE DE FILOSOFIA E PSICANÁLISE
Promoção:
GT Filosofia e Psicanálise
(vinculado a ANPOF)
Apoio:
Mestrado em Filosofia da UFBA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
O I Encontro Regional/Nordeste de Filosofia e Psicanálise acontecerá no Auditório Prof. João Gonçalves (PAF/Ondina) da Universidade Federal da Bahia, nos dias
07, 08 e 09 de junho de 2006, promovido pelo Grupo de Trabalho Filosofia e Psicanálise (vinculado à ANPOF), com o apoio do Mestrado em Filosofia da UFBA.
Inscrições (vagas limitadas):
As inscrições para participação como ouvinte podem ser realizadas com antecedência pelo e-mail
filosofiaepsicanalisebahia@ig.com.br ou quando do início do evento.
As inscrições para a apresentação de comunicações devem ser enviadas até o dia 15 de maio de 2006 para:
filosofiaepsicanalisebahia@ig.com.br. Os inscritos que tiverem seus trabalhos selecionados serão comunicados por e-mail até o dia 20/05.
Valor da inscrição:
Até dia 20/05:
Profissional R$40,00
Estudante R$20,00
Após 21/05
Profissional R$50,00
Estudante R$25,00
Conta para inscrição:
Banco Caixa Econômica Federal, ag. 0991,
operação 013,
conta/poupança 1596-3, em nome de Adriano Correia ou Sergio Augusto Franco Fernandes.
Informações necessárias para a inscrição de comunicações:
1- Nome completo;
2- Títulos acadêmicos (graduação, especialização, mestrado, doutorado);
3*- Pertença a programas de pós-graduação (como aluno ou professor);
4*- Participação no GT Filosofia e Psicanálise da ANPOF (membro do grupo de sustentação, membro do grupo de apoio, representante regional, outros);
5- Título da comunicação.
*Estes itens são facultativos, podendo se inscrever pessoas não vinculadas a uma pós-graduação em filosofia ou ao GT Filosofia e Psicanálise.
Diretrizes para Comunicações:
1- Tempo para a comunicação: 20 min mais 10 min de debate.
2- Apresentação de texto com o máximo de 8 laudas, espaço 2, Times New Roman 12, acompanhado de resumo e e-mail para contato.
3- Os textos devem apresentar articulações e problematizações entre filosofia e psicanálise e/ou
4- propor uma reflexão acerca dos conceitos da psicanálise em sua relação com a construção da teoria.
Comissão Organizadora:
Adriano Correia - UFBA
Caroline Vasconcelos Ribeiro - UESB/UNICAMP
Eder Soares Santos - UNICAMP
João José R. L. de Almeida - UNIOEST
Luis Sergio de Souza - UFBA
Sergio Augusto Franco Fernandes - UNICAMP
Suely Aires Pontes - UNICAMP
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:57 PM Comments:
Terça-feira, Abril 18, 2006
ALCATÉIA DE VELUDO
Secam as gotas últimas de um pranto frenético
sobram as músicas num canto úmido
- nada de muito inédito...
Apenas a denotação do meu dilúvio,
Resíduo do meu estado histérico,
E conotação desse viciado mundo...
De cujo imundo e raso lago, emerge o seu império
E é sempre às segundas que construo o meu castelo
De cartas de papel - mistério d'um poema anômalo
Anônimo no universo dessa cidade caótica
cuja ótica é fatiada por prédio de arranhacéus
- nada de muito inédito...
Apenas minhas estrelas, iluminando teu limpo céu,
O limbo de encosto - o encontro e o desaparecer
O livro de auto-ajuda e a bíblia, separados para ler
Tudo que parece ser novo- encantamdo o teu ver,
- enganando o teu ser
Mas que ainda cheira a mofo...
Sua nova forma de viver - exalando naftalina...
Sobre teus ombros, tasnto menos consolo havia,
Quando os meus sonhos, tão cheios de significado
O meu pecado crucificado tinha,
E ainda, estancado o choro, desse último devaneio
Leio e releio-me,
Amanheço de sono, de zelo a lhe cobrir
Amanhã, cedo, eu ensejo a sorrir (eu juro!)
Rir na metáfora que descrevo em vida,
(D'amídala que nos faz fortalecer,
D'adrenalina de originar um novo ser,
após a metáfora, e a paráfrase perfeita
Que enfeita tua frase de linguagem figurada,
Muda o sentido de minha sina, nosso destino
Muda harmonia, de acordes em sol e dó sustenido
Que na matina, te acorde, para ouvir o meu gemido
Ou teu grito de prazer,
Porque 1+1 são 3 - e pode até não ser...
Mas ao menos uma vez
(Seja amanhecer, noite, entardecer)
Na penumbra do semi- raio de sol
E meio-raiar de lua
Seja a minha alma e só,
me toque... e toque em fá e dó maior
Em si e lá, apenas se para cá
Tudo possa vir e não ficar,
Permanecer até... e até...
E então... e enfim...
Para nunca um fim haver.
(Nix di Bach | no perdido mês de março de 2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:02 PM Comments:
SILÊNCIO ABORTADO
Seu corpo atrás do box respingado de lágrimas e sangue
ovário estilhaçado por meu coito de desejo insano.
Carne misturada à saliva - água adocicada -
mergulhando minhas mãos em seu suor derretido.
Parte prenhe de mim, desfigurada como máscara indolor.
Meu amor, meu sexo, minha hóstia consagrada e orvalho.
Doce canção atravessando o espelho lunar de teus sonhos
- memóriua inerte no canto oprimido de um banheiro.
Banheiro público! Trânsito anônimo. Ó(s)culos.
O vidro atravessando o escuro de suas costas-coxas.
Mãos, dedos, falos, câncer e ópio-teorema.
Seu olhar e a condenação de morte prematura.
(L. F. Calaça | 17/04/2006)
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Domingo, Abril 16, 2006
O ELEFANTE FANTASMA E O COQUETEL
meu corpo assombrado nesta antena parabólica noite
e as imagens refratárias e os sussurros transversais
paisagem paranóide, sangue e chama meu nome nada
eu anormal surreal paranormal flutuando brisa viva
a vida transbordando traiçoeira tango salsa mambembe
coisa multiforme multimídia coisa nenhuma meu quarto
meu quase estado de calamidade pública particular só
se assim é ou não ou coisa alguma assolando no escuro
solo de gritos atados armados de poemas molotov bomba
não sei se sei se sei coisa alguma que não essa agonia
esse escuro claro relâmpago que me desossa todo azul
miragem milagre mitos santos pagãos de orgia lunar
(L. F. Calaça | 16/04/2006)
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O ENIGMA DA RAPOSA VERMELHA
a Carol Custódio.
Ela chega e me dá um abraço que retribuo desengonçado. Ela tenta ler minhas loucuras, mas é sensível a ilusões de óptica e os pontos negros ferem sua retina. Ela me investiga, vê as linhas de minha mão esquerda. Sou um destro que escreve torto em linhas invisíveis. Não sei se ela me entende. Não me entendo, mas quero viver até os oitenta anos, sofrendo com dores de coluna, enfartado, trêmulo, talvez louco. Desde cedo saí do aquário de vidro, ainda preso em suas paredes, e tentei, no chão gretado de um deserto estéril, criar pulmões fortes, correr feito um louco. Meus pulmões, pseudos em si, são brânquias asmáticas. Meu olhar, silêncio aquoso, transitório, entre o medo e a timidez involuntária. Desejo de fuder o mundo, imerso no plasma líquido de minhas viagens aquáticas.
Não sei o que viu nas linhas tortas de minha mão amarela. Não sei se fingiu interesse por meus escritos neo-beat concebidos num mundo fechado de quatro paredes alaranjadas. Retorno sempre imagens renegadas ao infernos, mas sempre retornando, recalcadas, remanescentes. É como meu desejo, que nunca chega a uma satisfação completa, mas é desejo e é loucura e necessidade vital. As palavras gritando histéricas por necessidade vital de não morrer louco. Talvez a loucura, no entanto, seja a santidade dos poetas psicografados. Ou não, acredito mesmo. A loucura é meu disfarce sutil da realidade que não deseja ser realidade, mas é, sempre, representada e simbolo cabalístico.
E a raposa vermelha, sangue e fogo e lábios grandes de mãe terra, é deusa xamã que dança nua, no deserto branco e paralelo. Delírio de vodka apimentada. Gula de carne malassada. A raposa vermelha e seus óculos de armação grossa, olha com olhos de esfínge, decretando meus segredos nus, como mistérios suspensos. E as palavras continuam seu deslize sonâmbulo. Vida, morte, loucura, sexo sem sexo, sem nexo. Meu eixo desfigurado e meus delírios em lanças bacantes.
(L. F. Calaça | 16/04/2006)
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Sexta-feira, Abril 14, 2006
SOLARES DE ILUSÃO E RUÍNAS ALADAS:
Retrospectiva de minhas escrivinhações em blog.
Luiz Fernando Calaça.
É meio doido o que eu estou fazendo aqui, agora, neste momento, nestas palavras. Acho inclusive que é muita presunção, muito achar-me grandes merdas, pensar que sou escritor. Mas não estou fazendo pôse. Apenas estou pensando ultimamente em todo esse lance de blog, literatura em meio virtual, projetos coletivos, cânome e arte. Penso em mim mesmo, nesse contexto, como um escrivinhador sem muitos leitores (ou leitores desconhecidos que nunca deixam comentários no meu blog, obsessão masturbatória). falarei sobre a história curta de meus 5 anos escrevendo poemas, contos, e outras maluquices sem pé nem cabeça, devaneios, desejo de viver, de sobreviver, através de uma escrita às vezes hermética - voltada para mim, apenas - às vezes ingênua, frágil e romântica.
Farei meu retrospecto, como um testamento prematuro, como lembrança de algo que foi, é e, talvez, será.
Comecei a escrever quando tinha quinze anos. Agora tenho vinte. Antes disso, eu era apenas um leitor compulsivo de Agatha Christie - atualmente esquecida ou substituída por
Harry Potter e
Senhor dos Anéis. Lembro-me que nesse período eu desejava escrever um romance policial todo cheio de suspense, personagens inglêses transportados para uma Salvador que não conhecia e não conheço até hoje. Pouco importa! Meu primeiro poemas, creio eu, foi escrito entre março e abril de 2001. era um poema longo, confuso, obscuro e que retratava um crime passional em uma noite de chuva, numa rua de paralelepípedos cheios de limo verde. Creio que na época além de Agatha Christie, lia também Conan Doyle e Edgar Allan Poe. Era um CDF que me achava a última bala que matou Kennedy, só porque passava o tempo todo com um livro debaixo do braço ou aberto durante o "intervalo" no colégio.
Compulsivo, escrevi um monte de poemas, todos longos, alguns voltados para um reflexão pretensiosa demais, para a minha idade, sobre o mundo, a arte, a vida e suas encruzilhadas, o homem e suas aparências, suas máscaras, etc etc. Esses primeiros poemas - ao menos os que ainda hoje dou um mínimo de valor, por serem meus primeiros rascunhos de poesia, dei o nome de AS ALMAS DE UM HOMEM SÓ. Via nesse título uma ambiguidade bem fraquinha, dando ao "um homem só" tanto a idéia de solidão, quanto de minimalidade, de ser apenas uma voz que se distancia do mundo, numa ilusão, talvez, de diferenciação. Hoje vejo que tudo isso é uma grande ilusão, um sonho que tentamos construir, tentando ser especiais, deixando de ser nós mesmos para sermos um personagem que se escreve.
Em 2002 escrevo uma peça, voltada para um trabalho escolar, chamada A CAIXA MONSTRO DA HUMANIDADE, que versava sobre a relação entre ética e ciência. Essa peça foi uma adaptação do conto de Roberto Louis Stevenson,
O Médico e o Monstro e a mito clássico de Prometeu e a caixa de Pandora, que falam sobre a questão do conhecimento e sua dupla face. A peça foi apresentada duas vezes, para alunos e pais. (Eu fiz o papel do Dr Jeckyll e Mr Hyde).
O SOLARES DE ILUSÃO, meu primeiro blog, surgiu por volta de 2003, quando ainda estava no colégio, fazendo terceiro ano. É dessa época meus primeiros contos - textos em prosa lírica - que eu escrevia voltado exclusivamente para o blog, mas que foi mudando de forma, assimilando novos estílos, à medida que conhecia outros autores, como Franz Kafka, Dostoievski, Clarice Lispector, Raul Pompéia. Oscar Wilde, dentre outros, além da influencia "estética" da pintura surrealista de Salvador Dalí. Renè Magritte, do expressionismo de Edvard Munch e da pintura dolorosa de Frida Kahlo, que sinceramente não sei como qualificar. Esse blog foi excluido pois estava muito extenso, e o provedor Blogger restringiu o espaço de memória do blog para apenas 10MB. (Ele já estava com cerca de 22MB, devido à quantidade de imagens que eu "postava")
Em fevereiro de 2003 publiquei pela primeira vez um poema, o PENSAMENTO, pela coletânea
Salvador Poetas Novos e, em agosto do mesmo ano, o poema O VIOLINO DE OFÉLIA, pela coletânea
Seleção de Ouro Poetas da Bahia. A publicação foi muito tosca, mas feita, a jato de tinta e acredito que os autores não eram lá essas coisas todas. (Não posso dizer nada , por que hoje vejo que meus primeiros poemas também não são lá muito bons, e tenho minhas dúvidas sobre meu futuro como escritor, mas... escrevo por prazer e necessidade de escrever, de modo que já abstraí)*.
Com o mesmo formato que o SOLARES..., - mesmo templage, pois pré-pronto, pois não sei criar blogs nem sou designer gráfico - criei em fevereiro de 2004 o RUÍNAS ALADAS. Seus textos seguem a linha final dos do SOLARES, já marcado por um fluxo intenso de linguagem, trazendo imagens carregadas de expressividade, em fragmentos que só me fazem pensar um video-clipes. Textos ininterruptos, num intimo fluxo de consciência, em que derramo em linguagem imagens e sensações. Não posso negar que meus textos trazem também um olhar erotisado do mundo, em que ressignifico os objetos, dando-lhe novo caráter expressivo, às vezes numa particularidade que acaba sendo sentido como hermetismo. Em algumas conversas com Taciano, um amigo meu escritor do CONTEXTOS**, e que muito me insentivou para a criação do SOLARES... , cheguei a falar que, para mim o importante era a possibilidade de, através da palavra, despertar nos outros sensações. Sensações que fossem além das palavras ou do significado que lhes atribuo no momento da concepção dos textos, uma sensação estética, uma emoção. atravessando a alma e o corpo.
Os contos do SOLARES... e alguns dos primeiros textos do RUINAS... estão reunidos num volume de 40 contos que deverá ser publicado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia***, talvez, e assim espero, ainda esse ano.
O blog, antes de tudo, serve para mim como veículo de publicação de meus textos, somente esporadicamente servindo como veículo de relato de fatos ocorridos em minha vida, quase sempre envolvidos com própria dinâmica e manutenção do blog. Antes eu esperava que comentassem meus contos, poemas e as imagens que coloco. Hoje sei que há algumas pessoas que ainda lêem o que escrevo, que gostam, inclusive, embora eu só me comunique mesmo com Emmanuel (meu colega de colegial, desde o infantil) e Mariana Tavares - Nix di Bach - de São Paulo, com quem me correspondo com grande freqüência, nesses últimos três meses.
Tanto no RUÍNAS... quanto no SOLARES... postei também textos de escritores que me fascinam muito, como Samuel Beckett, Marquês de Sade, Clarice Lispector, Roberto Piva****, além de fragmentos e textos de amigos, que às vezes escreviam por pedido meu, posto que achava, e ainda acho, que a literatura é uma das formas possíveis de nos descobrirmos, de nos expressarmos existencialmente, ou, no mínimo, de
não enlouquecer. Sublimação... Sublimação...
Os textos, costumo postá-los sem muita preocupação com o que é dito, talvez por conceber a escrita como processo espontâneo, e os erros de ortografia e concordância, às vezes, é devido à preguiça de fazer revisão. Escrevo compulsivamente, às vezes direto no espaço de post (como estou fazendo agora), e só paro para corrigir os erros quando transponho os escritos para o Word, o que nem sempre faço com muita atualidade, posto que dá um trabalho danado, por eu usar o Office, do LINUX e ter de ficar manipulando disquete pra lá e pra cá.
Por escrever compulsivamente tenho cerca de 100 contos e uns 150 poemas escritos, que divido em arquivos de Word que dou uns títulos loucos, como o AS ALMAS DE UM HOMEM SÓ, O VIOLINO DE OFÉLIA, O HOMEM DE VIDRO, POESIA APÓS SILÊNCIO e o VERSO TRANSVERSO (todos de poemas, contendo uma média de 30 poemas cada) e o RUÍNAS ALADAS, PSEUDÓPODOS e EXPRESSIONISTA (de contos).
Não posso disvencilhar minha produção literária cde minha vida, no sentido que são fruto de um momento, de um instante ou algo que é vivenciado. Amores, sentimentos intensos, melancolia, falta de sentido, às vezes, quanto à própria existência, desejo de gritar, desejo de ser tão intenso quanto as palavras nas quais me ficciono, me transponho, num segundo passageiro.
Hoje não escrevo para ninguém, senão para mim mesmo. Desejo, como qualquer um que escreve, acredito eu, poder ter os textos publicados, apenas por uma vaidade, para sentir a emoção de ver as palavras transformadas em realidade, fora das telas de um computador, de uma virtualidade impalpável. Mas... não espero nada muito além disso.
No RUÍNAS postei também alguns textos que escrevi sobre Gestalt-Terapia, abordagem que venho me interessando em Psicoterapia. (Sou estudante de Psicologia da UFBA - Universidade Federal da Bahia). Consistem mais em reflexões ou pequenos ensaios, em que relato as experiências vividas num grupo de estudos sobre essa abordagem, dirante o período de junho a setembro de 2005. Esses textos também se encontram em outro blog meu, o GESTALT EXISTENTE*****.
Bem... vou concluindo por aqui, dizendo que esse pequeno "retrospecto" é apenas fruto de algumas reflexões atuais que venho feito, fruto de discussões recentes com alguns amigos que se utilizam desse meio virtual e auternativo de se fazer literatura. Não sei se o blog vem criando uma estética ou trata-se apenas de uma forma de divulgação de textos. os conteúdos e as formas de expressão são muito variáveis, seguindo estilos bem heterogênios, com autores muito bons, outros ainda superficiais, prematuros. Não estou apto a me avaliar e acho, inclusive, que o que escrevo volta-se muito mais para mim mesmo, que para um público em geral.
Abri esse espaço não apenas para refletir sobre minhas escrivinhações, dando notícias minhas e do RUÍNAS, aos eventuais visitantes, mas também para pensar nesse processo que vem se dando agora, nesse instante, e é atual e crescente, ao meu ver. Situo-me um pouco à margem, pois não estou muito a parte das teias de blogs pessoais, coletivos, sites e revistas literárias virtuais. sei apenas que é uma alternativa acessível e interessante, bem característico do nosso tempo e do nosso espaço diluido da virtualidade das imagens e dos códigos binários.
Um grande abraço a todos o visitantes!
Salvador, 14/04/2006
___________________
Notas:
*Referências:
- NOVOS, Salvador Poetas. Coletânea de Poesias. fevereiro de 2003. Know How Consultoria & Clarear Consultporia e Assessoria Técnica.
- BAHIA, Seleção de ouro poetas da. Coletânea de Poesias. agosto de 2003. Know How Consultoria & Editora
** CONTEXTOS:
http://www.taciano.blogger.com.br
*** Cf. RUÍNAS ALADAS:
http://www.ruinas_aladas.blogger.com.br/2004_03_01_archive.html, quando falo de minha inscrição no Selo Editorial e
http://www.ruinas_aladas.blogger.com.br/2005_04_01_archive.html, quando divulgo o parecer favorável à publicação.
**** Cf. PARANÓIA PIVIANA:
http://www.roberto_piva.blogger.com.br. (Nesse blog reuni material de/sobre esse poeta que muito tem me chamado atenção, enquanto leitor, e que me inspirou em alguns de meus poemas).
***** GESTALT EXISTENTE:
www.gestalt-existente.blogger.com.br
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Auto-retrato, Salvador Dalí
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Quinta-feira, Abril 13, 2006
TU
Palavras... novamente vocês nesse instante em que me falta algo a mais, no espaço vazio, deixado latente, latejante.
Te encontro, desejando nunca mais te ver, nunca mais te ter como lembrança, como passado que não tem motivo de ser, e retorna como desejo racalcado, como necessidade sufocada por travesseiro sem fronha, sem cheiro, sem cores.
Retorna, e retorna derramando baldes, molhando o chão frio onde deito e morro, num sono tumultuado de suor, sonhos e estado de torpor em chamas frias.
Te ver é sentir-me mais frágil, mais sozinho, mais desejoso de ser, sem ser coisa alguma, senão essa forma vaga, atravessada por falsos pudores, por horrores de desejar o desejável, negando-me sempre.
E continuo nu, meu corpo e minha espera sempre sempre sempre. E essas palavras minhas, mortas, não são literatura, nem poesia, nem ficção, nem coisa alguma, senão minha falta, minha situação pendente, minha quase angústia de ser sem você, sem ninguém, apenas sombra.
E você e seu olhar e seu sorriso e seu sarcásmo e sua teimosia e sua chama encarneda e sua boca profana. Eu, desejo que exala e recobre meu corpo com o orgulho e medo de sofrer de novo.
E sou e sou e sou e estou sendo, para não deixar de ser, me perdendo, me anulando, me transformanto em prolongamento mudo de teu orgulho.
Eu e meu desejo novamente de me perder sem restrições, sem pudores, sendo e estando apenas para o momento.
O momento não há e não espero mais.
Me escondo em mim e espero minha espera, correndo parado no instante segundo retrocesso.
(L. F. Calaça | 13/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:13 PM Comments:
Quarta-feira, Abril 12, 2006
Ilusão de óptica: Pontos negros
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Segunda-feira, Abril 10, 2006
O ROSTO LARANJA
O meu quanto tem uma parede laranja. Lembro-me de um poema de Adélia Prado. Lembro dos peixes, ela tirando as escamas. Gosto de peixe frito, mas é gorduroso de mais e estou de regime. Pequenas coisas insignificantes que tornam a vida absurda. Coisas insignificantesd são as únicas coisas que realmente estão nos lugares onde deixamos antes de dormir e esquecer do dia. Tudo sobre a mesa abarrotada de papéis, cds, classificadores, som azul, rabiscos de caneta. A vida passando com uma descarga elétrica em velocidade lenta. Indo e voltando, como numa imagem na tv, de madrugada, olhos pendendo de sono, a barriga roncando uma fome que não existiria, se o sono fosse respeitado. Se o corpo fosse respeitado... aí eu caio no mesmo papo depressivo de esterilidade de sempre. Argh! De que adianta um corpo sem outro corpo? Eu e minha parede laranja. Almofada laranja. Cocha de cama laranja. Certa vez me disseram que laranja é a cor preferida para lanchonetes, pois abria o apetite. Cores quentes. Gosto de cores quentes, quando é frio demais para sentir. O Sol de cinco horas é laranja, quente-brando. Brando... Nada e suficientemente brando que não me enlouqueça. Enlouquecer faz parte de meu estado de espírito. Mas não fico nu sobre o alaranjado reflexo de meus segmentos de corpo. Meus dedos gordos do pé. Dedinhos gordos e alaranjados. Meu lábio-saliva. Merda de papo de carente! Quero fazer um filho num orifício sem saída. Sentir que o espaço se reduz a um quase nada. Não! Isso é muito pouco. Muito pouco. Vou arrancar as venesianas, fritar meus olhos vermelhos e me jogar diante do espelho para ver até onde é possível beijar meu próprio olhar, cor de sangue vivo. Sem fim... sem começo... Um copo de suco de acerola com cenoura e um sonho equilibrista. Quase nada, meu olhar atrás da janela.
(L. F. Calaça | 10/04/2006)
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Domingo, Abril 09, 2006
INCONCRETO
com um poema atravessado na garganta
destilo meus dedos em chamas pela barba
rala, falha, fios de nylon e cílios-sombras
a música, imagens incendiárias, cores-tons
meus olhos cinzentos no mundo de têxturas
minha ânsia de vida através dos feixes-elípse
palavras para um início-fim de conversa só
solilóquio com minha sombra branco-preto
parafuseando as partes abertas em feridas
meu corpo metálico, meu estado insône
calamidade pública, vestes, lestes, quadros
figuras inertes travestidas de humano
deus, o diabo e o telescópio auditivo
(L. F. Calaca | 09/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:32 PM Comments:
Zeca Baleiro
UM FILHO E UM CACHORRO
Compositor: Zeca Baleiro
Já tenho um filho e um cachorro
Me sinto como num comercial de margarina
Sou mais feliz do que os felizes
Sob as marquises me protejo do temporal
Oh meu amor me espere
Que eu volto pro jantar
Ainda tenho fome
Eu vejo tudo claramente
Com os meus óculos de grau
Loucura é quase santidade
E o bem também pode ser mal
Engrosso o coro dos com dentes
E me contento em ser banal
Loucura é quase santidade
E o bem meu bem pode ser mal
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:17 AM Comments:
FRASES E PENSAMENTOS DE FRIDA KAHLO
''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''
Diário de Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas
''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida.Vou esperar mais um pouco...''
[Em 27 de julho de 1953, Frida tem a perna direita amputada até a altura do joelho. Em seu diário, encontra-se o desenho da perna amputada como uma coluna rodeada de espinhos, com a legenda: ''Piés para qué los quiero si tengo alas pa' volar''.]
''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''
''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''
''Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar.''
''E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.''
''Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor.''
[Da autobiografia datada de 1953]
''Estou quase terminando o quadro que nada mais é que o resultado da tal operação. Estou sentada à beira de um precipício - com o colete em uma das mãos. Atrás estou deitada numa maca de hospital - com o rosto voltado para a paisagem - um tanto das costas está descoberto, onde se vê a cicatriz das facadas que me deram os cirurgiões filhos de sua... recém-casada mamãe.''
[Sobre a obra ''A Árvore da Esperança'']
''(E o que mais dói) é viver num corpo que é um sepulcro que nos aprisiona (segundo Platão) do mesmo modo como a concha aprisiona a ostra.''
''Me parece que a coisa mais importante na Gringolândia é ter ambição e se tornar 'somebody', e francamente, não tenho a menor ambição de ser ninguém.''
[Frida não gostava dos EUA, a quem chama sempre de Gringolândia. Acha os 'gringos' , como diz, 'arrogantes de nascença'.]
''Ele leva uma vida plena, sem o vazio da minha. Não tenho nada porque não o tenho.''
[Em referência ao marido Diego]
''Estive doente durante um ano: 1950-1951. Sete operações na coluna. O Dr. Farill salvou-me. Restituiu-me a alegria de viver. Ainda estou numa cadeira de rodas e não sei quando poderei voltar a andar de novo. Tenho um colete de gesso que, em vez de ser horrivelmente 'maçador', me ajuda a suportar melhor a coluna. Não sinto dores, só um grande cansaço... e, como é natural, por vezes desespero. Um desespero indescritível. No entanto quero viver. Já comecei o pequeno quadro que vou dar ao Dr. Farill e que estou fazendo com todo meu carinho por ele.''
''Querem que eu retrate cinco mulheres mexicanas importantes em nossa história; faço pesquisas para saber que tipo de baratas foram essas heroínas, que tipo de psicologia era o seu fardo, a fim de, ao pintá-las, as pessoas possam diferenciá-las das mulheres comuns e vulgares do México, as quais, para mim, são mais interessantes e poderosas do que as damas mencionadas.''
''Estou pintando um pouco, sinto que aprendi algo e estou menos estúpida do que antes.''
''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.''
''Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade.''
''Toda esta raiva simplesmente me fez compreender melhor que eu o amo mais do que a minha própria pele, e que, embora você não me ame tanto assim, pelo menos me ama um pouquinho - não é? Se isto não for verdade, sempre terei a esperança de que possa ser, e isso me basta...''
[Em referência a Diego]
''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''
''O México, como sempre, está desorganizado e confuso. A única coisa que lhe resta é a grande beleza da terra e dos índios. Todos os dias, a parte feia dos Estados Unidos rouba um pedaço; é uma lástima, mas as pessoas têm que comer e é inevitável que os peixes grandes devorem os pequenos.''
''Eu vou mal e irei pior ainda mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo.''
''Por que o chamo meu Diego? Nunca foi, nem será meu. É dele mesmo.''
[A última entrada em seu diário:] ''Espero a partida com alegria... e espero nunca mais voltar... Frida''
''Meu pai foi para mim um grande exemplo de ternura, de trabalho... e acima de tudo de compreensão de todos os meus problemas.''
Gringolândia
''Por outro lado, e essa é uma opinião pessoal minha, apesar de compreender as vantagens que os Estados Unidos oferecem para qualquer trabalho ou atividade, prefiro o México, os gringos me caem mal com todas as suas qualidades e defeitos que também são grandiosos, me caem mal sua maneira de ser, sua hipocrisia e seu puritanismo asqueroso, seus sermões protestantes, sua pretensão sem limites, essa mania de achar que para tudo devem ser 'very decent' e 'very proper...' Sei que esses daqui [no México] são ladrões, cabrões, etc. [...], mas não sei por que, por mais que façam bandalheiras, as fazem com um pouco de senso de humor, ao passo que os gringos são 'sangrones' de nascença, embora sejam hiper-respeitosos e decentes.
''Além do mais, seu modo de vida me é chocante, essas 'parties' cabronas, onde se resolve tudo depois de ingerir fartos coqueteizinhos (nem sequer sabem se embriagar de maneira agradável), desde a venda de um quadro até uma declaração de guerra, sempre levando em conta que o vendedor do quadro ou o declarador da guerra seja um personagem 'important', de outro modo não lhe dão a mínima bola, lá só apitam os 'important people' [....].
''Você poderá me dizer que também se pode viver lá sem os coqueteizinhos e sem as 'parties', mas então você não passa de um zé-ninguém e sei perfeitamente que o mais importante para todo o mundo na Gringolândia é ter ambição, chegar a ser 'somebody' e, francamente, eu já não tenho a mais remota ambição de ser ninguém [....], não me interessa em nenhum sentido ser 'la gran caca'.''
Poema do diário de Frida
Diego. princípio
Diego. construtor
Diego. meu bebê
Diego. meu noivo
Diego. pintor
Diego. meu amante
Diego. meu marido
Diego. meu amigo
Diego. meu pai
Diego. minha mãe
Diego. meu filho
Diego. eu
Diego. universo
Diversidade na unidade.
Porque é que lhe chamo Meu Diego?
Ele nunca foi e nem será meu.
Ele pertence a si próprio.
FONTE: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT512361-1661,00.html
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:24 AM Comments:
Quinta-feira, Abril 06, 2006
POEMA VERTIGEM ou PSICOGRAFIA
Minha angústia, ilusão despercebida
corre louca e nua nesta vertigem.
Meu canto atravessando os poros distorcidos
de minha carne estéril e sangue respingado.
Atravesso o finito mar das pedras
reviradas e invertidas, artérias expostas
no círculo distal das alamedas sérias
e dos dilúvios cabalístico-lunares.
Meu eu psicografado como espírito
miseravelmente acorrentado ao pé da mesa.
Cinema e silêncio. Imagens mudas.
Um aglomerado de cimento. Meus pés-concreto.
Alma delirando amordaçada,
como fronteira entre o isso e a esfera.
Gangorra, balanço e serenata.
(L. F. Calaça | 27/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:11 PM Comments:
Segunda-feira, Abril 03, 2006
FARÓIS E EDIFÍCIOS
Olhar a tarde estremecida
o Sol pousando, anoitecendo.
Feixe de luz incandescente.
O mar de vidro, céu em chamas.
Não sei ir além das imagens,
corte e ruptura com mim mesmo.
A torre de um farol em sangue
guilhotinando a noite, sinal e aceno.
Você... em outro hemisfério circular.
Cidade de pedras angulares, obelísco.
Eu... olhando o mar que bate em ondas
silêncio e brisa. Calçada e luzes.
Morna esperança de vir a ser
gaivota atravessando o mundo,
com asas metálicas e turbinas.
(L. F. Calaça | 03/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:09 PM Comments:
Sites com litografias:
http://www.festomuvesz.hu/torjay/torjay_grafikak.htm
http://www.drhamptn.com/art_Munch.htm
(Vale à pena dar uma olhada. Ilustrações belíssimas!)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:03 AM Comments:
Domingo, Abril 02, 2006
VERSO CÚBICO
Sinto-me só. Cada vez mais só.
Nesse instante sem nome.
Eu e minha sombra perdida.
Meu inverso... seu inverso...
meu reverso enquadrado.
(L. F. Calaça | 02/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:53 AM Comments:
Salvador Dali Atomicus, foto de Philippe Halsman
ESCADA ABAIXO
Eu me descubro sonâmbulo, meu corpo em ebulição, transfigurando-me, vibrando no abismo entre o olhar e o parapeito. A escada leva minhas idéias ao espaço impreciso. Parte indecifrável. As pontas do cabelo arrastando-se no chão xadrez absinto. Meus segmentos de memória. As partes fragmentadas do teu corpo nu e petrificado. Me mordo, arrancado víceras invisíveis, impermeáveis. Algo além do asfalto. Algo atrás do armário de zinco. Profecia e tentação. Perco-me, às vezes, dessa sua condição de minha sombra. Sua pele recobre meu corpo que despela, que se arrasta como serpente dúbia. Minhas víceras enjauladas no desejo de ser devorado por sua boca carnívora. Sou você reencarnado, sou sua carne e seu relógio de areia marcando o tempo inerte. O estrondo, o relâmpago atravessando a madrugada vazia. Teus olhos são o círculo incandescente que me adentra os poros e explode meu pranto-sangue-dor. Alma entreaberta. Porta rangedoura. Meu mimetísmo eclíptico. Sou a sombra arrastada na escadaria invisível. Você domina meus mínimos orvalhos gotejantes. Meu sexo entre as cordas de um violino mudo. Meu espasmo... Meu claustro. Você me adormece de mim. Sou esse fantásma afogado num sofá. Pulsos estilhaçados como taça embebida de veneno motífero. Minha noite, seu olhar respingado. Meus lábios são sua boca que se perde, sem remédio ou ilusão. Ao fundo um som arrastado. Seus pés descalços e belos, e brancos, e firmes. Pisando o solo que range, como rangem meus dentes cor de fumo. Meu olhar embargado, chama e suor. Meu peito arfando o suspiro etílico de um jovem virgem e estéril. Uma espuma cinzenta... Nuvem de ópio atravessando a sala. Um estrondo e meu olhar inerte. Ainda respiro! Seu corpo e fantasma astral. Meu corpo frio, recoberto por um fino tecido de teia. Não sei se é noite ou dia, o tempo flui como um galope desenfreado. Seu corpo nu, idéia fixa. Minha boca ressecada, língua... ínguas... hímen! Quero ser perene, mas sei que apenas tenho sua lembrança. Sua noite foi completa. Eu, vazio, sem a parte adjascente a mim. Adentro a cama úmida de onde não me movo, paralítico. Seu perfume é crosta de sangue coagulado, sobre a colcha rota e encardida. Seu batom, seus cílios, sua vagina-falo penetrando o meu cérebro repartido. A lâmina desliza entre as cortinas e eu não vejo meu rosto na vidraça. E escreverei meu testamento mudo: uma desgraça repartida aos herdeiros de um amor vadio. O canto amaldiçoado. As folhas mortas rabiscadas no escuro. Cegueira insana. Você, víbora, devorando minhas artérias. Sou um renegado transmundo. vago-alheio processo infinito de perda, ganhos mentirosos, colheita e peste. Os gafanhotos invadindo e destroçando as fotografias. Minha carne se desfazendo. Letras imóveis. Passado... pretérito impessoal. Minha alma intransitiva. Seu amor possível, corpo despedaçado como hóstia. Ossos transformados em pó. A lâmina que retalha minha vida, sangue atravessando o oceano negro. Vai e fica, seu olhar de uma ironia sutil e sádica. Sua boca vermelha e indecente, sussurrando um beijo de desdém. Meu corpo em sincronia com esse arranjo vil. Sou criança que rola escada abaixo, pisoteada. Não me pergunte se sou ou não. Já não te importo realmente. Nunca importei coisa alguma. Sou objeto imóvel, peixe afogado no aquário transparente. Meu fluxo é veia rompida, tinta azul de caneta e dedos indecisos, dilacerando as cores do céu em chamas.
(L. F. Calaça | 01/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:40 AM Comments:
HETEROGÊNEO
Meu mistério congelado no espaço agora
Que sirva
Que sinta o estrondo
Algo aglutinado
Entre duas pétalas que mal-me-quer
O desejo pendurtado
num monte-precipício
De longa laranja estrada vinda
Meu mistério Espremido no assoalho
De vidro
Alhures destoa do lume dos olhos
As imagens vazadas
Vazias-opacas
Esquecidas no fundo do bolso
Da carta
Onde anoto meus beijos, meus prantos
Silêncio
Não
O quê
Continuo deslizando o beijo pardo
Não fuja dessa memória que memória:
Teu corpo despido, sangue
E brasa
As mesmas imagens que te ensinaram
As mesmas vertígens que me tomaram
O corpo
Que quando era criança era
Mais fácil
Quando é presente, me desfaço
E viro meu olho andando depressa
Atravessando o mar de brasa
Incandescente
De novo:
Novamente
Que sinta o estrondo
O corpo fragmentado
Que sirva
Que derrame em fluida
Vaga
Meu mistério congelado no espaço agora.
(L. F. Calaça & Ernesto Diniz | 01/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:04 AM Comments:
Sábado, Abril 01, 2006
Salvador Dalí
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:59 PM Comments:
ALLANA GESTÁLTICA
EU... TU... Um encontro inexperado
Uma figura emergindo de um fundo sensível
espaço e palavra, olhares perdidos
você e sua imagem desprendida
numa tela invisível, AQUI, AGORA
Um presente que se realiza num misterio
sem toque, sem olhares, só idéias
mas mesmo assim um encontro
entre um Eu e um Tu, ser e tempo
sem limites atravessando o mundo
num presente fértil e doce
além o nome transcrito.
(L. F. Calaça | 01/04/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:36 PM Comments:
Hoje... novamente eu. Que alegria!
O que eu mais queria... será meu...
repostas? nunca as tenho... mas divina a minha mente latente, sempre em busca, do que? de tudo...
de mim, de você, do que mais eu possa ser, e do que sou....
Alma e carne que vibram....
Meu mundo em pequeninas gotas doces de chuva rasteira na minha grande São Paulo... um pouco de você, um tanto de mim e um universo sempre novo criado do encontro do ser que sou e do que desejo ser... Todas as pessoas fechadas, os mundos fechados, tanto dos sonhos e de aprendizados ditos desilusão....
não me afogo nos acontecimentos, vou emergindo de cada falha, cada erro... crescendo e encontrando meu sinal... "As luzes da cidade não chegam às estrelas sem antes me buscar"
(Nix di Bach - aVeDsiLF)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:00 PM Comments: